Neste ano até o momento foram defendidas 9 dissertações.

Útlima atualização 09/08/2018

 

Danielle Dos Santos Cleres

Título:CONSTRUÇÕES COM AGORA EM JORNAIS DO SÉCULO XIX: UMA PERSPECTIVA CENTRADA NO USO

Orientador: Maria Maura Cezario Páginas: 125


Esta pesquisa está embasada nos aportes teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso, mais especificamente nas abordagens de Goldberg (1995; 2006), Traugott & Trousdale (2013) e Bybee (2010). O trabalho consiste num estudo que investiga as construções com agora, representadas em sua construção mais abstrata como [(X) agora (Y)], em jornais do século XIX que circularam na cidade do Rio de Janeiro. Nosso objetivo principal é analisar os diferentes papéis dessa construção e de seus subesquemas encontrados nestes textos. Os resultados demonstram que há dois grandes subesquemas: o subesquema circunstancial, cujo domínio funcional apresenta caráter adverbial e o subesquema de comparação temporal enunciativa, no qual as microconstruções estabelecem relações comparativas entre as porções textuais e o tempo é não cronológico.

 

Emily Silvano da Silva

Título:Rastreamento ocular de orações temporariamente ambíguas: reflexões sobre os efeitos garden-path e good-enough na leitura de alunos de curso fundamental e superior

Orientador: Marcus Maia Páginas: 77


A Teoria do Garden-Path (cf. Frazier,1979, entre outros) tem sido testada também em Português brasileiro em pesquisas tais como Ribeiro (2005, 2008, 2012) e Maia (2005, 2013, 2015). O presente estudo almeja pesquisar através da técnica de rastreamento ocular o processamento on-line e a compreensão de um tipo de ambiguidade sintática temporária. É esperado que sentenças garden-path (GP) apresentem maiores latências na leitura do que as sem garden-path (SG), indicando a entrada do sujeito no labirinto. Os resultados on-line de ambos os grupos mostraram que há efeito principal do tipo de estrutura da frase, registrando-se que o segmento crítico de sentenças do tipo SG é lido mais rapidamente do que de sentenças do tipo GP em ambos os grupos. Os resultados off-line mostraram que os participantes erram mais em GP, como esperado, do que em SG. Os participantes adultos obtiveram índices de acerto significativamente maiores do que de erros em ambas as condições, o que atesta o engajamento na tarefa. Era esperado que, após a reanálise on-line, os alunos no GP atingiriam compreensão total da sentença respondendo corretamente. Sobre os alunos do 8o ano do ensino fundamental, estes fixam menos nos segmentos comparados com os alunos do ensino superior, aliado a isso o tempo de leitura na sentença SG é consideravelmente menor do que em GP, parecendo que este grupo desiste da frase. Isto se reflete nos resultados off-line que demonstraram que os participantes desse grupo erram mais em GP do que em SG. Observou-se evidência do efeito good-enough, no grupo do ensino fundamental, havendo compreensão parcial ou incompleta do input, mesmo após a reanálise, que parece persistente na memória de trabalho, resultando em representações incompatíveis com o valor de verdade. Concluindo, o GP foi menor em participantes mais novos do que nos mais velhos, resultados que são contrários aos esperados pela literatura, mas que podem refletir o panorama da educação do país, em que parece haver interesse reduzido dos alunos da educação básica em tarefas de pensar linguisticamente.

 

Erick Pires Rodrigues

Título:CONSTRUÇÕES DE POSSE PREDICATIVA EM LÍNGUA RUSSA: UMA ABORDAGEM CONSTRUCIONISTA

Orientador: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 92


Este trabalho tem como objeto de estudo as construções de posse predicativa em língua russa. A posse predicativa em russo, diferente do que ocorre em português, se relaciona com construções existenciais e é, por isso, constituída com o verbo iest’ (ser). Uma sentença como U menia iest’ machina, por exemplo, deve ser entendida numa tradução literal como “Junto a mim é carro”, correspondendo em português a “Eu tenho um carro”. No entanto, também se observa o uso de sentenças possessivas com a mesma estrutura do exemplo acima, porém com o verbo iest’ não realizado formalmente, figurando uma construção alternativa e contrastiva em relação à primeira. O presente trabalho se apoia na abordagem da Linguística Cognitiva de maneira geral, e na teoria da Gramática de Construções em particular, na qual se postula que o que caracteriza uma língua fundamentalmente é um inventário de construções, ou seja, um inventário de pareamentos de forma e significado, organizado na forma de uma grande rede. Também se postula que uma diferença na forma de uma construção reflete uma diferença semântica e/ou pragmática. É o que se chama de princípio da não sinonímia das formas gramaticais. O objetivo da pesquisa é, através da análise dos dados coletados do Natsional’nii Korpus Russkogo Iazika (Corpus Nacional de Língua Russa), descobrir quais são as diferenças de uso e de significado (semântico e/ou pragmático) das construções [U menia iest’ SN] e [U menia SN] em russo. Para isso, o trabalho se divide em duas partes: uma análise estatística, que procurou observar as correlações e diferenças de uso das construções em relação a diversas variáveis formais e semânticas utilizando o programa R; uma análise qualitativa, que procurou descrever e explicar os padrões distribucionais encontrados na primeira análise, bem como as questões semânticas e pragmáticas subjacentes na diferença de uso das construções. Adota-se a hipótese de que as duas construções apresentam diferenças de significado e uso, cada uma delas abrigando subconstruções específicas na rede construcional, e de que parte dessas diferenças, de acordo com cada subconstrução, se refere à perspectiva adotada pelo falante na conceptualização da posse. Na análise quantitativa, as variáveis de animacidade, e da relação de tipo e token do objeto da posse se mostraram relevantes estatisticamente. No que toca à análise qualitativa, observou-se uma estreita correlação entre as instanciações cujo objeto é vopros (pergunta) e a construção do tipo [U menia SN], tanto pela alta frequência de ocorrência, quanto pelas particularidades discursivas e pragmáticas. Essa correlação reflete o status independente da subconstrução [U menia vopros] na rede construcional.

 

Fernanda da Silva Ribeiro

Título:A rede construcional de movimento causado do português brasileiro

Orientador: Lilian Vieira Ferrari Páginas: 133


A Construção de Movimento Causado (GOLDBERG, 1995) é triargumental, sendo definida estruturalmente como [SUJ [V OBJ OBL]] e semanticamente entendida como “X causa Y a mover-se Z”. Exemplos da autora incluem Joe kicked the dog into the bathroom e Sam helped him into the car. O ambiente construcional de movimento causado fornece ao verbo, prototipicamente transitivo ou intransitivo, os chamados papéis argumentais, os quais asseguram a leitura de movimento causado da construção. Isso explica por que, segundo Goldberg (1995), verbos como laugh, intransitivos, podem adquirir transitividade em They laughed the poor guy out of the room. Ademais, a CMC está vinculada a uma rede polissêmica, consoante o Princípio da Motivação Maximizada, havendo diferentes leituras dentro da mesma sintaxe: a) “X causa Y a mover-se Z”; b) “Condições de satisfação fazem X causar Y a mover-se Z”; c) “X permite Y a mover-se Z”; d) “X impede Y de mover-se Z” e e) “X ajuda Y a mover-se Z”. Além dos vínculos polissêmicos, as Redes Construcionais também preveem a CMC em uma rede que envolve laços metafóricos, o que ocorre, por exemplo, entre a CMC e a Construção Resultativa, conforme ilustram Ele empurrou o piano para a sala e Ele esfregou a mesa até brilhar, aos quais subjaz a metáfora “Estados são Locais” (FERRARI, 2011). Não há, ainda, estudos acerca da CMC no português brasileiro e, nesse sentido, o objetivo desta dissertação é mostrar como a CMC pode ser descrita nessa variedade. A pesquisa conta com o Corpus NILC/São Carlos (http://www.linguateca.pt/acesso/corpus.php?corpus=SAOCARLOS). Os 30 verbos encontrados revelaram 103 instâncias da CMC com os usos literal, metonímico, metafórico e metaftonímico (GOOSSENS, 1990). Os dados viabilizaram a organização de uma rede estruturada por links taxonômicos, apresentando um nível mais alto, representado por “X causa Y a mover-se Z” e, abaixo, um nível intermediário no qual a macroconstrução é semiespecificada de duas maneiras: “X causa Y a mover-se em Z” e “X causa Y a mover-se para/a Z”. Abaixo de cada um desses níveis, apresentam-se os dados do corpus, distribuídos em classes semânticas denotadoras do tipo de transferência executada pelo verbo dentro da CMC. Destarte, obteve-se um panorama inicial do comportamento dessa construção no português brasileiro.

 

Lucas do Nascimento

Título:Insinuações da carne: Ordem da Imagem e Sentidos do Olhar – Por questões de leitura de fotografia digital da G Magazine

Orientador: Tania Conceição Clemente de Souza Páginas: 213


A questão inaugural desta tese é de natureza epistemológica sobre o percurso de leitura do olhar de fotografia digital publicitária: como ler fotografia digital como imagem-discurso? Para respondê-la, investimos na produção conceitual de imagem cosmética e de escrita fotográfica, baseada em ‘paráfrases visuais’, ‘policromias’ e ‘memória alegórica’ (SOUZA, 2001; 2011; 2012). O nosso corpus de análise são imagens de ensaio fotográfico de Dicesar por Dimmy Kieer e seus big brothers gêmeos, para a revista G Magazine, além de resultados de experimento de rastreamento ocular de leitura de fotografia digital de sua capa e seis enunciados circulados em sites de publicidade e propaganda sobre a edição dessa revista. O aporte teórico-metodológico é a Análise do Discurso de linha francesa, a Linguística Cognitiva e a Linguística Experimental. Esse diálogo se justifica por meio da questão da linguagem e do simbólico em psicologia (que nos ancoramos em PÊCHEUX; HENRY; HAROCHE; GADET, 1982, que trataram a psicolinguística como resposta à questão da linguagem em psicologia). Por isso, buscamos conceitos como ‘espaço de ponto de vista do discurso’ e ‘extensão metafórica’ (FERRARI, 2011; 2016; 2017). Com o objetivo geral de contribuir para a compreensão do processo semântico ‘polissemia do olhar’ (envolvido na visualização de imagens), pode ser dito que o rastreamento ocular identificou a “trituração de leitura” (PÊCHEUX, 1980) dos sujeitos participantes, uma vez considerados os movimentos oculares como sequências discursivas de trituração visual: vimos essas sequências do sujeito M. A., que, por um lado, o seu percurso de leitura do olhar indicia uma ‘matriz de inteligibilidade de gênero’ (BUTLER, 1990), podendo, assim, desestabilizar o pertencimento ao seu grupo heterossexual, cuja extensão metafórica resultar na policrômica cueca do modelo direitoo, área de seu maior interesse, por outro, a leitura corrobora a afirmação dada pelo seu grupo de que há nudez na imagem, tendo em vista o modelo apenas usar uma lingerie, nada mais como vestuário. Além disso, a média de resultados dos seis grupos em relação à leitura-trituração demonstrou maior interesse em três áreas da imagem de capa: o rosto da drag queen, o enunciado Dicesar por Dimmy Kieer e seus big brothers gêmeos e o rosto do modelo direito. Sobre o rosto, analisamos com base em Courtine e Haroche (2007). Em se tratando dos seis enunciados publicitários em circulação online, vimos que são apresentados confrontos discursivos com a materialidade imagética da capa da revista. Por isso, a leitura aparentemente de nudez teve sua linguagem em funcionamento pela normatividade de específico grupo sexista, o que indica a desregulação do corpo masculino e a indisciplina do corpo na história da heteronormatividade. O machismo afirma a nudez masculina em capa publicitária da G Magazine, edição de maio de 2010.

 

Luis Felipe Nascimento

Título:A rede construcional de movimento causado do português brasileiro

Orientador: Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 130


O objetivo desse trabalho é estudar o estatuto dos prefixos es- e en- em verbos denominais parassintéticos. Como visto em Nascimento (2014), quando a estrutura verbal é composta pelos prefixos em questão, a grade argumental sempre contará com uma posição de argumento interno – ou um argumento que nasça na derivação nessa posição – a ser preenchida. Esse trabalho se dispõe a verificar se existe influência desse prefixo na criação da estrutura argumental. Outro ponto que se busca esclarecer é se o prefixo ainda é visto como tal, mesmo em casos como esganar e encenar – em que aparentemente as bases nominais não são mais decompostas e as raízes verbais são reanalisadas. Com a finalidade de capturar como se dá o processamento de ambos os prefixos, utilizaram-se métodos experimentais psicolinguísticos.

 

Maycon Silva Aguiar

Título: Incorporação de preposições a raízes latinas e suas implicações para as estruturas de eventos

Orientador: Alessandro Boechat de Medeiros Páginas: 198


Investigam-se as estruturas de eventos do latim em que há incidência de incor- poração de preposição ou ao verbalizador (nos casos default) ou à raiz (nos casos em que o movimento para o verbalizador é embarreirado pela presença de uma raiz). As preposi- ções incorporadas são assumidas como núcleos de projeções internas à camada do predi- cado em que seus argumentos são negociados, condição que as habilita à incorporação. Em vez de se adotar uma perspectiva que trata de suas projeções como sintagmas prepo- sicionais, é-lhes concedido um tratamento baseado em sua contribuição semântica para os predicados em que ocorrem (PANTCHEVA, 2011), que as observa como introdutoras ou de trajetórias de deslocamento ou de sintagmas locativos. A forma geral das estruturas de eventos é tomada da morfologia distribuída, em sua versão que é encontrada nos trabalhos de Marantz (2006, 2007, 2012). São estabelecidos três tipos de predicados (estativos; di- nâmicos e incoativos; e dinâmicos e de atividade) e possíveis subtipos. O corpus utilizado é o texto Orationes in Catilinam, do autor latino Marco Túlio Cícero.

 

Mayra Franca Floret

Título: A ordenação das construções causais com porque e por+infinitivo no português clássico e contemporâneo

Orientador: Maria da Conceicao Auxiliadora de Paiva Páginas: 98


As orações causais com porque e por+infinitivo podem ser antepostas, pospostas ou interpostas à oração núcleo a que se ligam. Este estudo visa verificar, através de uma análise diacrônica, a forma como alguns princípios de natureza funcional operam sobre a ordenação dessas construções desde o século XVII até o século XXI, e as possíveis alterações na atuação desses princípios ao longo do tempo. Com base em pressupostos dos Modelos Baseados no Uso (MBU), analisamos mais especificamente a ação dos princípios de iconicidade, de distribuição de informação e de continuidade tópica, considerando, ainda, o domínio em que se instaura a relação de causalidade (referencial, epistêmico e dos atos de fala). As hipóteses que norteiam essa pesquisa são as seguintes: (i) o domínio em que se instaura a relação de causalidade pode favorecer diferentes possibilidades de ordenação das orações causais com porque e por+infinitivo; (ii) em períodos causais sequenciais, a oração causal tende a ser anteposta à oração efeito; (iii) a oração causal tende a ser anteposta se carrega informação velha, ou posposta se carrega informação nova; e (iv) a anteposição da oração causal pode servir como um recurso para a manutenção do tópico do discurso anterior. Para a verificação dessas hipóteses, analisamos uma amostra de textos representativos de cada século do período considerado. Os dados atestados nessa amostra foram submetidos a um tratamento estatístico que mostrou, em primeiro lugar, que a posposição tende a ser a ordem não marcada das orações causais introduzidas por porque e por+infinitivo independentemente das diversas propriedades analisadas. Os resultados obtidos apontam, ainda, que as orações causais com por+infinitivo permitem maior flexibilidade de posição do que as orações com porque que, ao longo do tempo, fixam uma posição. Verificou-se, por fim, que a anteposição e a interposição constituem ordens marcadas tanto do ponto de vista da sua frequência como dos contextos em que ocorrem.

 

Nuciene Caroline Amphilophio Fumaux

Título:Construcionalização de um monte de sn: uma abordagem centrada no uso.

Orientador: Karen Alonso Páginas: 127


Este trabalho consiste em uma análise da formação da construção quantificadora um monte de SN ao longo da história do português, a partir da ótica da Linguística Funcional Centrada no Uso. A hipótese que norteia esta pesquisa é a de que a construção quantificadora é historicamente ligada a uma construção de sentido mais qualitativo. Os usos periféricos da construção mais qualitativa, de modo mais específico da categoria de matéria, proporcionaram mudanças de sentido nessa construção por estarem semanticamente muito distantes de exemplares mais centrais. Observa-se, ainda, na construção qualitativa, o aumento da produtividade e esquematicidade e a diminuição da composicionalidade. Percebe-se que, na construção quantificadora, há uma mudança de núcleo – já que na construção original esse núcleo correspondia ao monte que era especificado por um tipo de SP, e na construção quantificadora, esse núcleo corresponde ao SN que é quantificado pelo chunk um monte de. Após mudanças na forma e no sentido, constata-se que houve uma construcionalização, a formação de uma nova construção com o sentido de quantificar um SN na língua.

 

Victor Tadeu Antas Virginio

Título: A pragmática inerente das construções gramaticais: comparando adjetivos adverbiais e advérbios em –mente do português brasileiro

Orientador: Diogo Pinheiro Páginas: 106


Os adjetivos adverbiais do português brasileiro (PB) (ex.: chutar forte, falar alto, jogar bonito, descer redondo, escrever certo) apresentam uma curiosa característica: se, por um lado, eles parecem ser bastante produtivos, por outro, parecem ter restrições aparentemente arbitrárias (ex.:?discursar maravilhoso, ?viajar frequente, ?contar manual). Sob uma perspectiva construcionista baseada no uso (LANGACKER, 1987; 1991; GOLDBERG, 1995; 2006; 2013; CROFT, 2001; 2013; BYBEE, 2010; 2013; DIESSEL, 2015), investigamos as construções de adjetivo adverbial (AA) e de advérbio sufixal (AS) do PB, sob a hipótese de que, apesar de parecerem bem próximas funcionalmente, elas se distinguem em função de propriedades relativas ao foco informacional (LAMBRECHT, 1994). Recorrendo a dois experimentos offline de julgamento de aceitabilidade, pudemos verificar que além de as duas construções distinguirem-se em relação ao foco informacional, sua frequência de uso afeta a representação subjacente, cancelando a restrição informacional no nível mais baixo da rede construcional.

Yesenia Verónica Ancco Almonte

Título:Metáforas do pensamento e da comunicação verbal no aimara do Peru

Orientador: Andrew Nevins Coorientador: Diogo Pinheiro Páginas: 91


O presente trabalho tem o objetivo de pesquisar as metáforas de pensamento e da comunicação verbal no aimara do sul peruano sob a perspectiva da Linguística Cognitiva. De modo mais específico, a pesquisa analisa dieciséis exemplos, enfocados em duas construções conceptuais: a) a construção metafórica, Uka amuyunakamxa chuyma manqhamara imasxañamax kuntakiraki parlajax jani kucha arsjamti, ‘Esses teus pensamentos você deve guardar no fundo do teu núcleo para que vai falar, melhor você não deve falar` e b) Pitirana arsuwinakapxa taqi chuymampipiniwa nayaxa katuqtastxa ´Sempre recebo com todo meu núcleo sempre o que Peter fala`.

A pesquisa se relaciona com os aportes teóricos de Lakoff (1980) para tratar estruturas metafóricas baseadas em domínios da experiência humana, os conceitos de Dancygier e Sweetser (2014), para os conceitos gerais da Metáfora, além disso outros autores citados ao decorrer do texto.

A análise foi desenvolvida a partir de entrevistas informais do dia a dia com indivíduos bilíngues, falantes de aimara-castelhano, da cidade de Puno e com integrantes das comunidades de Sajo e Batalha, em Pomata. As principais hipóteses do trabalho são: a) A metáfora chuyma é pensamento; b) essa correspondência pauta-se na ideia de que os elementos envolvidos, chuyma é pensamento, estão intrinsecamente ligados às emoções e c) a metáfora comunicar é receber, sendo as três hipóteses em correlação das outras línguas como espanhol, português e inglês; em suma dois exemplos se encontram no primeiro parágrafo deste texto.

Os resultados que se mostram na análise são compatíveis com as hipóteses propostas no trabalho, as construções metafóricas que designam pensamentos no aimara em que domínios abstratos compreendidos em termos de domínios relativamente concretos.

 

 

 

 

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