Neste ano até o momento foram defendidas 8 dissertações.

Útlima atualização 12/04/2019

 

Amanda Rocha Araújo de Moura

Título: O Efeito da Lacuna Preenchida no Português Brasileiro: operações sintáticas frente a elementos discursivos

Orientador: Prof. Dr. Marcus Antonio Rezende Maia

Páginas: 82


Este é um estudo psicolinguístico que tem por objetivo investigar a influência do nível discursivo no processamento de um fenômeno estritamente sintático, o Efeito da Lacuna Preenchida. Assim, ao longo do trabalho, buscamos a refletir sobre os grandes modelos divergentes de processamento de frases desde modelos estruturais até modelos conexionistas. Uma grande discussão na linguística atual é se as operações sintáticas exerceriam um papel individualizado para computar estruturas de forma reflexa na primeira fase de processamento ou se as operações mentais ocorrem de forma paralela sem que a sintaxe opere de modo individualizado e de forma que o conhecimento prévio do assunto guie o processamento. Tomando este quadro teórico como ponto de partida, buscamos investigar o Efeito da Lacuna Preenchida, manipulando fatores discursivos. Realizamos 2 experimentos, no primeiro utilizamos a técnica de leitura automonitorada e introduzimos uma frase contextual antes da frase experimental com o Efeito da Lacuna Preenchida com o objetivo de averiguar se o conhecimento prévio poderia impedir esse efeito sintático. No segundo experimento, utilizamos a técnica de rastreamento ocular e manipulamos a referência do discurso (D-link) dentro do sintagma-QU. O objetivo do segundo experimento era averiguar se a referencialidade do elemento-QU poderia exercer influência sob o Efeito da Lacuna Preenchida na primeira fase do processamento. Os resultados desses experimentos dialogam favoravelmente com os modelos do tipo Syntax-first apresentados nesta dissertação visto que os elementos discursivos não são capazes de impedir o Efeito da Lacuna Preenchida acontecer na primeira fase do processamento.

 

Bruna Cezario Soares

Título: A evidencialidade em Wa’ikhana (Tukano Oriental): uma proposta funcional-tipológica.

Orientador: Profa. Dra. Kristine Stenzel

Páginas: 142


Este trabalho consiste em uma descrição e análise da evidencialidade, categoria gramatical que indica fonte de informação, na língua Wa’ikhana (Tukano Oriental), sob a ótica da tipologia-funcional. A partir da análise de quatro narrativas orais, dados escritos e dados elicitados, identificou-se a forma e a função dos evidenciais desta língua, que foram divididos em quatro categorias: visual, inferencial, presumido e reportado. Portanto, são descritos a semântica de cada categoria e os diferentes contextos em que os evidenciais ocorrem. Também são mostrados os papéis de cada tipo de evidencial em relação ao valor de certeza do falante na língua, argumentando-se que evidencialidade e modalidade epistêmica não são a mesma categoria, apesar de intimamente conectados.

 

Jéssica Cassemiro Muniz dos Santos

Título: Investigando a categorização radial: o que nos ensinam os verbos de separação do português brasileiro?

Orientador: Prof. Dr. Diogo Oliveira Ramires Pinheiro

Páginas: 120


A LC tem se caracterizado pela crítica ao ideal de definibilidade clássica das categorias. Duas questões, no entanto, permanecem pendentes: (i) é possível demonstrar empiricamente que as categorias definidas por itens linguísticos não apresentam estruturação clássica e (ii) em caso positivo, qual é a fonte ou origem dos efeitos de prototipicidade identificados no uso linguístico? Esta dissertação se propõe a responder essas duas perguntas. Em relação à primeira, optamos por investigar empiricamente as categorias definidas pelos verbos “cortar”, “quebrar” e “rasgar”. Para isso, foi desenvolvido um experimento de produção induzida em que os participantes deveriam descrever oralmente eventos de separação representados em vídeos curtos. Os resultados sugeriram que a crítica cognitivista se sustenta, na medida em que não foi possível identificar, de maneira geral, propriedades necessárias e suficientes para a estruturação das categorias definidas pelos verbos “cortar”, “quebrar” e “rasgar”. Em relação à segunda pergunta, decidimos investigar empiricamente que fatores levam o falante a optar pelo verbo “cortar” ou “quebrar” quando diante de diferentes tipos de eventos de separação. Os resultados sugeriram que tanto o tipo de evento (com instrumento cortante e com separação precisa versus sem instrumento cortante e sem separação precisa) quanto o tipo de objeto afetado (objeto tipicamente cortado versus objeto tipicamente quebrado) afetam a escolha do falante. Interpretamos esse resultado como evidência de que a estrutura hierárquica e redundante da rede construcional do falante produz efeitos de prototipicidade no uso linguístico.

 

Krystina Balykova

Título: Expressão de propriedades no Guató e no Wa'ikhana

Orientador: Profa. Dra. Kristine Stenzel

Páginas: 234


Neste trabalho, faço uma primeira descrição e análise do comportamento morfossintático dos lexemas com semântica adjetival no Guató (isolado) e Wa’ikhana (Tukano Oriental), duas línguas indígenas brasileiras ameaçadas. O Capítulo 1 é dedicado à apresentação dos dois povos. No Capítulo 2, descrevo os corpora que serviram de base para o presente trabalho. No Capítulo 3, faço um panorama dos estudos sobre a classe lexical “adjetivo”, tratando da sua história, da sua caracterização na tipologia e das abordagens teórico-metodológicas acerca da definição das classes lexicais. Adoto a posição de Dryer (1997), Haspelmath (2010a, 2010b, 2018) e Croft (2000, 2003), segundo a qual as categorias pertencentes às línguas diferentes são incomensuráveis entre si e, portanto, é preciso criar ferramentas comparativas para poder realizar cotejos interlinguísticos. Portanto, em ambas as línguas, descrevo e analiso termos para propriedades que correspondem à definição do conceito comparativo “adjetivo” proposto por Haspelmath. Além disso, para delimitar o conjunto das propriedades descritivas a serem discutidas, utilizo os tipos semânticos associados com a classe adjetival propostos por Dixon (2011[1977], 2004). No Capítulo 4, descrevo a expressão de propriedades no Guató, argumentando que os lexemas de semântica adjetival se comportam como verbos. Apresento as funções sintáticas desses verbos e a morfologia associada a essas funções, assim como os recursos gramaticais utilizados para negar, intensificar, atenuar e comparar propriedades e para indicar a mudança de estado. No Capítulo 5, descrevo a expressão de propriedades no Wa’ikhana, mostrando que a maioria dos lexemas de semântica adjetival também se comportam como verbos. Começo a minha descrição apresentando as funções sintáticas das raízes verbais não derivadas. Em seguida, trato dos verbos descritivos derivados pelo sufixo atributivo -ti e proponho uma origem diacrônica para esse sufixo. Depois, passo para a descrição dos lexemas de semântica adjetival que se comportam como nomes, sobretudo, do tipo semântico IDADE. Dou uma especial atenção ao lexema bʉkʉ ‘velho’, propondo que, mesmo tendo a origem diacrônica verbal, ele deve ser considerado um nome não derivado sincronicamente. Finalizo o capítulo tratando dos recursos gramaticais e lexicais utilizados para negar, intensificar e comparar propriedades e para indicar a mudança de estado. O Capítulo 6 contém a conclusão em que resumo os principais resultados desta pesquisa e apresento alguns passos futuros.

 

Nayana Pires da Silva Rodrigues

Título: Aquisição de PERFECT no Português do Brasil

Orientador: Profa. Dra. Adriana Leitão Martins

Páginas: 136


Esta pesquisa tem como objetivo investigar a aquisição de perfect universal e perfect existencial (IATRIDOU, ANAGNOSTOPOULOU & IZVORSKI, 2003) associados ao tempo presente no português do Brasil (doravante PB). Esperamos, dessa forma, contribuir para o estudo da representação do conhecimento linguístico de perfect. A hipótese sugerida para esta pesquisa é de que a realização de perfect universal associado ao tempo presente se dá simultaneamente à realização de perfect existencial associado ao tempo presente na aquisição do PB. Para isso, realizamos um estudo de caso de caráter qualitativo, com coleta de dados feita longitudinalmente por meio de gravações da fala espontânea e semiespontânea de uma criança, totalizando 33 gravações. Como resultado, temos a produção de perfect na fala da participante somente a partir da gravação 15, realizada quando a criança estava com dois anos e seis meses. Os dados obtidos revelaram que a realização do perfect existencial, mais especificamente a expressão do resultado no presente de uma situação passada – também chamado de perfect de resultado –, ocorreu anteriormente à realização do perfect universal. Dessa forma, refutamos a hipótese deste estudo. Os dados obtidos revelaram ainda que, após a realização do perfect de resultado e do perfect universal, houve realizações de perfect existencial que ressaltavam a experiência no presente de uma situação passada – também chamado de perfect experiencial. Logo, sugerimos que haja uma dissociação na representação linguística entre os seguintes tipos de perfect: de resultado, universal e experiencial. Esses tipos de perfect projetariam, respectivamente, os nódulos EPerfP, UPerfP e ExPerfP. Os traços alocados nos núcleos dessas projeções seriam, respectivamente, resultativo, continuativo e experienciação. Os resultados deste estudo ainda evidenciaram que tempo foi adquirido antes de perfect. Portanto, defendemos nesta pesquisa a seguinte representação estrutural: ExPerfP > UPerfP > EPerfP > TP.

 

Ohanna Teixeira Barchi Severi

Título: Propriedades discursivas dos singulares nus no português brasileiro

Orientador: Profa. Dra. Suzi Oliveira de Lima

Páginas: 136


Este trabalho discute o comportamento dos sintagmas indefinidos e singulares nus na posição de objeto no Português Brasileiro e argumenta em favor de uma distinção entre ambos. O objetivo é delimitar as propriedades semânticas dessas duas expressões nominais e as interpretações de cada uma para as sentenças em que aparecem. Tendo como ponto de partida os trabalhos de Oggiani (2011) e Aguilar-Guevara (2014) para singulares nus no Espanhol Uruguaio e no Holandês, respectivamente, esta dissertação defende que singulares nus no Português Brasileiro são capazes de introduzir referentes no discurso, assim como indefinidos, mas ambas as expressões nominais apresentam propriedades distintas. Por meio da análise dos resultados encontrados em um estudo de produção e em dois estudos de compreensão, em comparação com as propostas das autoras citadas acima e outros autores (ESPINAL, 2010; PARAGUASSU-MARTINS, 2010; SCHMITT; MUNN, 1999; MÜLLER, 2002; PIRES DE OLIVEIRA; ROTHSTEIN, 2011; WALL, 2013; entre muitos outros), foi possível verificar que singulares nus (i) podem ser antecedentes de expressões anafóricas menos completas, como pronomes; (ii) podem ser interpretados com escopo amplo e estreito em sentenças negativas. Assemelham-se a indefinidos nesses quesitos, mas diferem entre si em quesitos como interpretação cumulativa e combinação com predicados recíprocos. Portanto, singulares nus e indefinidos são analisados como expressões nominais inseridas em um continuum, em que existe uma gradação de definitude, e esses sintagmas ocupam lugares distintos nessa escala. A análise proposta neste trabalho é feita sob a perspectiva da Semântica Formal e Experimental e procura contribuir com a literatura sobre nomes nus.

 

Rafael Berg Esteves Trianon

Título: Focalização In Situ no português do Brasil: sintaxe, semântica e prosódia

Orientador: Prof. Dr. Alessandro Boechat de Medeiros

Co-orientador: Prof. PhD. Albert Olivier Blaise Rilliard Páginas: 250


Esta dissertação tem como objeto de pesquisa o fenômeno da focalização in situ no português do Brasil. Tais construções são caracterizadas pela existência de um acento prosódico especial sobre o constituinte focalizado, mantendo a ordem das palavras na sentença. Algumas abordagens da Gramática Gerativa, como a Cartografia Sintática (Belletti, 2004a, 2004b; Cinque, 1999; Rizzi, 1997; Rizzi&Bocci, 2017 inter alia), assumem que a focalização envolve movimento sintático para projeções dedicadas à veiculação de foco, ao passo que a ordem dos constituintes na frase não se altera porque ocorre um outro movimento de remanescente (Kayne, 1994) que resulta na mesma ordem de palavras que uma sentença sem focalização. Nosso trabalho busca uma alternativa a essa posição, tendo como hipótese que a focalização não envolve movimento sintático. Além disso, propomos que o sistema computacional da linguagem não necessita de codificar uma tipologia de focos (amplo, informacional, contrastivo, mirativo, etc.), pois o único traço relevante na gramática é o de exaustividade. Para embasar essas proposições, empreendemos uma análise semântica, uma análise prosódica e uma análise sintática: a análise semântica chega à conclusão de que LF codifica apenas um traço de exaustividade relativa, que exaure um conjunto pressuposicional dado no contexto; a análise prosódica demonstra que os diversos tipos de foco não são tão diferenciáveis entre si quanto o que se tem proposto – por outro lado, a exaustividade aparenta ser muito mais identificável, sendo marcada pela alteração do núcleo do sintagma entoacional; por fim, a análise sintática propõe duas alternativas de tratamento para a codificação da exaustividade: uma solução lança mão da proposta de Bošković (2007) para o movimento, e afirma que o traço de exaustividade é valorado internamente ao DP através de Agree do núcleo D com uma projeção funcional fP, enquanto a quantificação estabelecida pelo foco é dada através de movimento encoberto para CP. A segunda alternativa assume que a quantificação é resultado obrigatório da exaustividade veiculada pela focalização, marcada na sintaxe através da adjunção de um núcleo f, que introduz um quantificador do tipo “existe um único x”. Com essas análises, pretendemos lançar luz sobre o fenômeno da focalização in situ, apontando caminhos para tratar a questão em maior conformidade aos pressupostos da Gramática Gerativa, mais especificamente o Programa Minimalista (Chomsky, 2015 [1995])

 

Thiago dos Santos Silva

Título: A formação de conectores concessivos e concessivo-condicionais instanciados pelo esquema [Xque] em português: uma análise construcional de mudança.

Orientador: Profa. Dra. Maria Maura da Conceição Cezario

Páginas: 136


Este trabalho consiste numa análise diacrônica sobre a formação de construções concessivas e concessivo-condicionais instanciadas pelo esquema [Xque] na história do português, no qual as formas ainda e mesmo ocupam o lugar de X, tendo como suporte teórico a Linguística Funcional Centrada no Uso. Partimos da hipótese de que cada construção passou por um processo de construcionalização (Traugott e Trousdale, 2013), visto que houve mudança na forma e na função de cada uma delas. Processos cognitivos de domínio geral (cf. Bybee 2010) teriam atuado no processo de mudança linguística sofrido pelas construções e, ao longo da história do português, houve reestruturação da rede linguística da qual o esquema [Xque] faz parte. Defendemos também que as mudanças se deram de forma gradual, seguindo micropassos de mudança. Observamos que a forma ainda que ocorre, no corpus em análise, no século XIII, enquanto a forma mesmo que tem sua primeira ocorrência, no mesmo corpus, no século XVII, logo entendemos que esta última, por analogia a uma forma já existente na língua, tenha sido recrutada para o slot X, além de processos como metáfora e metonímia terem sido importantes na formação dos itens.

 

 

 

 

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