Neste ano até o momento foram defendidas 4 dissertações.

Útlima atualização 04/03/2020

 

Alan de Sousa Motta

Título: A individualização de nomes abstratos no português brasileiro

Orientador: Prof. Dr. Alessandro Boechat de Medeiros

Páginas: 184


Este trabalho é sobre nomes abstratos do tipo eventos e estados no português brasileiro. É sobre sua contabilidade, o modo como se dá sua individualização. Para chegar ao comportamento de contabilidade destes nomes, vamos investigar quais são os fatores que determinam sua individualização. Nosso objetivo é sistematizar como artigos, quantificadores, numerais, classificadores, nomes nus, morfologia, aspectos semânticos e derivacionais do nome, contexto pragmático e propriedades ontológicas influenciam na individualização dos nomes abstratos. Visitaremos a literatura massivo-contável e suas principais abordagens e tentaremos traçar um diálogo das propriedades destas abordagens com a ontologia única dos nomes abstratos. Por meio da intuição e de dados da internet, percebemos que há uma correlação entre nomes de evento e contabilidade e nomes de estado e não-contabilidade, como já previsto por autores que já estudaram tal correlação antes (BRINTON, 1998). Entretanto, assim como para os nomes concretos, estão disponíveis para os nomes abstratos alguns mecanismos que realizam a coerção destes, especialmente a passagem de nomes de estado para nomes de evento (GRIMM, 2014). Também investigamos como o plural não-individualizante (CORBETT, 2000) ocorre no português brasileiro e em outras línguas. Este plural, cuja literatura não é abundante, desafia a literatura sobre a relação entre o morfema plural -s e a leitura de indivíduos (MÜLLER, 2002; PIRES DE OLIVEIRA; ROTHSTEIN, 2011), já que certos nomes não desencadeiam uma leitura de indivíduos.

 

Gabrielle de Figueira do Nascimento

Título: Construções binominais quantificadoras da língua russa: uma abordagem baseada no uso

Orientador: Profa. Dra. Karen Sampaio Braga Alongo

Coorientador: Prof. Dr. Diego Leite de Oliveira

Páginas: 108


Esta pesquisa tem como objetivo investigar a representação sintática do aspecto perfect. Assumiu-se a existência de tipos distintos de perfect: perfect universal / situação persistente, perfect existencial / resultativo, perfect existencial / experiencial e perfect existencial / passado recente. Para tanto, foi investigada uma possível perda linguística desse aspecto associado ao tempo presente em sujeitos portadores da Doença de Alzheimer, tanto na variante clássica (DA), quanto na variante frontal, conhecida como Afasia Progressiva Primária Logopênica (APPL). A metodologia elaborada para este trabalho consistiu na realização de um estudo duplo de caso, tendo participado uma paciente portadora da DA e outra da APPL, ambas falantes nativas do português do Brasil. Foram aplicados dois testes de funcionalidade, dois testes neuropsicológicos e dois testes linguísticos e foi realizada também uma análise de fala espontânea. Os resultados indicaram que ambas as pacientes apresentaram declínio funcional e comprometimento cognitivo, ainda que o déficit na paciente com DA fosse maior do que o da paciente com APPL. A análise referente à expressão linguística, resultante da comparação dos resultados dos dois testes linguísticos e da análise de fala espontânea, revelou que a paciente com DA apresentava um déficit que incide sobre os quatro tipos de perfect, tempo presente e aspecto imperfectivo, enquanto que a paciente com APPL apresentava um déficit que incide sobre perfect existencial / passado recente e tempo presente. Observou-se, então, que o perfect existencial / passado recente está dissociado na gramática mental, havendo um sintagma referente a esse conhecimento na representação sintática, o RecPerfP, que domina os demais sintagmas de perfect. Além disso, discutiu-se que TP encontra-se acima dos sintagmas de perfect na hierarquia sintática, ao passo que AspP encontra-se abaixo. Foi proposto, dessa forma, que a hierarquia entre sintagmas de perfect, tempo e aspecto perfectivo/imperfectivo na representação sintática seja a seguinte: TP > RecPerf > ExPerfP > UPerfP > ResPerfP > AspP.

 

Jean Carlos da Silva Gomes

Título: O comprometimento do aspecto PERFECT na doença de Alzheimer

Orientador: Profa. Dra. Adriana Leitão Martins

Coorientador: Profa. Dra. Fernanda de Carvalho Rodrigues

Páginas: 202


Esta dissertação apresenta um estudo de cunho cognitivo-funcional do fenômeno de quantificação em construções binomiais quantificadoras da língua russa, a saber, gora Ngen ‘uma montanha de Ngen’ (gora-NOM musora-GEN ‘uma montanha de lixo’) e morie Ngen ‘um mar de Ngen’ (morie-NOM liudiei-GEN ‘um mar de pessoas’). A hipótese geral da pesquisa parte da premissa de que as duas construções possuem preferências colocacionais diferentes, ou seja, elas permitem determinados itens na posição Ngen. Para identificar as diferenças, realizamos uma análise colostrucional, que calcula uma medida associativa entre as construções selecionadas para a pesquisa e os elementos que podem ocupar a posição Ngen. Além disso, consideramos traços semânticos mais gerais (+contável, +animado e +concreto) e mais específicos (+líquido e +empilhável) para comparar a expansão dos tipos de nomes que podem figurar em Ngen. Interessa a esse estudo também a descrição das construções binominais quantificadoras em termos de seu uso e também em termos de como cognitivamente o falante recruta nomes não quantificadores para expressar quantidade. A pesquisa é baseada na perspectiva teórica da Linguística Baseada no Uso (BARLOW E KEMMER, 2000; BYBEE, 2016). A premissa básica da Linguística Baseada no Uso é que a gramática é uma organização cognitiva que é constantemente impactada pelo uso, isto é, a experiência linguística do falante, e operada processos cognitivos de domínio geral.

 

Rodrigo Pereira da Silva Rosa

Título: Plurilinguismo e política linguística em território fluminense: proposta de uma cartografia discursiva

Orientador: Profa. Dra. Tania Conceição Clemente de Souza

Páginas: 136


Nosso trabalho tem como ponto de partida o mapeamento das diferentes línguas que são faladas no Rio de Janeiro, com a proposta de uma cartografia discursiva do estado do Rio de Janeiro. Uma cartografia com o viés discursivo se difere de uma cartografia linguística, porque esta se propõe explorar, em geral, as variações dialetais veiculadas no estado. O termo ‘cartografia discursiva’, cunhado neste trabalho, toma como base na sua definição aspectos de ordem político-social, quando estes dão lugar a um desenho da diversidade de línguas – em sua forma plena ou não – faladas no estado fluminense. A reunião dessas línguas não se dá por um fato fortuito, ao contrário: cada povo que aqui chega com sua matriz linguística traz consigo movimentos na história – do seu lugar de origem ao novo território. Uma cartografia discursiva não pode ser resultado, apenas, de um levantamento estatístico. A mesma se constrói investindo na busca por fatos históricos: por que aqui chegam os imigrantes? por que aqui chegam os povos africanos? por aqui chegam os povos originários? E, por fim, por que os refugiados buscam o nosso território como lugar de acolhimento? Em termos teóricos enveredamos pela articulação de conceitos oferecidos pela Análise de Discurso de linha francesa e da escola europeia de Sociolinguística. Muitas são as questões que permeiam nosso trabalho, como a discussão em torno do monolinguismo versus plurilinguismo. Sendo o Rio de Janeiro polo que agrega povos de diferentes procedências, muitas são os entraves e problemas para acolher a todos. A principal barreira na solução para um bom acolhimento reside na diversidade de línguas que fluem com o trânsito de muitos imigrantes, de povos originários do Brasil e do fluxo constante de refugiados. São poucos os projetos políticos que buscam a dar lugar de fato a um acolhimento. Destaca-se a dimensão do acolhimento através da criação de Cátedras pelo ACNUR; através da instituição de direitos por relações internacionais, como a criação por convenção, em 1951, do Instituto do Refúgio e a previsão de normativas legais mais favoráveis no Brasil do que em outros países. Nesse sentido, a oferta de uma cartografia discursiva permitiu mapear a fluência de um número expressivo de línguas oficiais e variedades dialetais faladas pelo contingente de imigrantes no estado do Rio de Janeiro. Todo esse universo linguístico, certamente, afeta o modo de falar o português, bem como o português afeta a todas essas línguas, fazendo surgir línguas forjadas em outros estados do território brasileiro – como o talian, o pomerano e outras. Por esses aspectos, de ordem política e de ordem histórica, o dialeto carioca tem sido identificado, desde a Convenção de 1943, como o dialeto padrão do país. Logo, em termos linguísticos, o modo de falar fluminense (abarcando o dialeto carioca) refletiria o sistema fonológico da Língua Portuguesa no seu todo. Em termos históricos, esse modo de falar reflete os movimentos da história universal, por isso a proposta de uma cartografia discursiva. Por fim, o trabalho no campo das políticas linguísticas não se encerra por aqui, quando buscamos responder a que línguas são faladas no Rio de Janeiro? Eis aí um campo fértil de discussão.

 

 

 

 

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